Não sabemos nada e morremos sem saber tudo. E eu não sou excepção.
Hoje a minha cultura foi seriamente aumentada ao saber de factos que desconhecia sobre o antigo regime.
Dizia então o nosso amigo que no tempo da ditadura, as coisas não eram más... Pelo contrário, eram até bem boas. Mas mesmo assim, ele decidiu que mesmo com tanta coisa boa, o melhor a fazer era fugir para a França. Ora, Português que é Português, não morre sem ter estado emigrado na França e ouvir o Toy a cantar em inglês.
E como seria feita a fuga? Obviamente utilizando um meio de transporte rápido, eficaz e com poucas paragens. Portanto, foi de comboio. Apesar de na segunda e na terceira vez a fuga ter sido eficaz, ao viajar ora por baixo do comboio agarrado ao chassis (durante TODA a viagem), que em cima dos vagões, saltitando delicadamente de vagão em vagão como se de uma pequena borboleta pousando num nenúfar se tratasse, a primeira viagem correu mal. E correu mal porquê? A comida não prestava? Foi sentado de costas e enjoou? Percebeu que se tinha esquecido de lavar os dentes com Pekçodente e já estava quase fora do país? Não. Poderia ter sido por qualquer um destes motivos ou até mesmo todos juntos... mas não. A viagem correu mal, porque o nosso aventureiro saltitão foi capturado.
E como foi que um homem tão astuto como este, que ate aguenta horas agarrado à parte de baixo de comboios, caiu nas malhas da lei?! O motivo é simples e passo a citar:
"Ao chegar à fronteira de Portugal com Espanha, o comboio tinha de parar. Porque em Espanha os carris dos comboios são mais largos e não cabiam nas rodas dos comboios. E então, o comboio tinha de parar para trocarem as rodas todas do comboio por rodas mais largas. E isto ainda demorava umas duas ou três horas."
E foi assim a astuta captura do nosso companheiro. Ora... eu não sou especialista nisto, mas parece-me 3 horas para trocar todas as rodas de um comboio é demasiado. Mas, eu sou doutro tempo. Quando eu nasci já essa troca de rodas eram feira por mecânicos aposentados da Formula 1, que com os seus bonés da Ferrari ou da Mclaren, esperavam ansiosamente a chegada do comboio à fronteira, para de imediato o levantarem com um macaco e trocarem as rodas em menos de 1 minuto. E isto inclui a lavagem do vidro da locomotiva e um Big Mac para o maquinista.
Mas como eu comecei por dizer, estamos sempre a aprender. E foi assim que eu hoje fiquei mais culto.