"O Meu Natal" por Júlio Miguel
O meu Natal foi bom. Primeiro não tive escola. Depois tive de férias. Este ano a minha mãe fez um bolo republicano, porque o meu Avô Malaquias diz que não gosta de Reis, que é uma pouca vergonha homens namorarem com homens. Não sei o que fazem as rainhas, se calhar costura.Nas férias fui brincar para o riacho com a Tininha, fomos apanhar musgo para o presépio Encontramos a Lina, a irmã dela à procura de musgo no riacho e o namorado, o Zélio, estava a segurar-lhe pelas pernas para ela não cair. Mas devia ter molhado as calças dele e a saia dela porque não tinham nada vestido para baixo da barriga.
No Natal tive muitas prendas. Recebi uma rolha, um fio e um cano de alumínio Já falta pouco para poder fazer a minha espingarda para ir aos pardais. Entretanto uso a Glock do meu pai, ele diz que já não sabe do Altino padeiro que ia lá todos os dias a noite ver se a minha mãe estava com febre quando o meu pai andava na pesca do bacalhau.
A passagem de ano também foi muito gira. Festejamos outra vez a entrada em 1999, porque era o resto dos enfeites da fábrica do meu tio Tono, antes de falir em 2005. Para o ano vamos festejar a entrada em 2004, com os enfeites do Euro e as bandeiras que ficaram por vender. Eu ia comer doze passas, mas como o meu tio Nino diz que mais vale uma passa daquilo que faz rir que passas murchas, vou esperar que ele volte com o ouro da minha mãe que ele lhe emprestei em segredo para comprar dessas passas engraçadas. Eu aproveitei o resto férias para fazer os meus trabalhos de casa, os do Luís Sabugo e da Tininha. Eles foram brincar ao quarto escuro, mas como eu tenho medo fiquei a fazer os trabalhos de casa.
Foi assim o meu Natal