quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Estórias da Vida Real [09-01-13]

Tó, o cão que assobiava a Macarena

Esta é a história de um dos ilustres de São Mamede da Bucha, famoso pelas suas habilidades, a sua subida à fama e estrelato, os seus problemas com a bebida e a forma como recuperou. Todos estes factos estão presentes na biografia a ser lançada no próximo mês pelo jovem jornalista Sidónio Tenório Teotóno.

Há muitos anos atrás, Cilinha, filha do Zé Bacalhau, encontrou um cachorro abandonado por detrás do deposito de gás da Escola EB1 de São Mamede da Bucha. Além do cachorro estava lá a mulher do então Presidente da Junta, Severina Beiças e o Roquelino, o porteiro da escola. Como lhe deram 10 contos para dizer que aquilo nunca se passou, Cilinha disse sempre que tinha encontrado o cachorro a beber do copo de verde branco que o Quirino Galheteiro costuma ter junto ao passeio da bomba de gasolina. Ainda hoje o Quirino está impedido de ter contacto com o protagonista desta estória, pois ele diz que era o ultimo copo de verde da adega do seu falecido paisinho, e partir dai teve de beber sempre em canecas do Nesquik.

Cilinha acolheu o cachorro e treinou-o porque sempre quis um irmão, mas o pai só lhe comprou uma barbie e um abre-latas. O cachorro foi batizado com o nome Tó, em honra ao seu tio José, e uma garrafa de sprite. Ganiu durante 15 dias porque em vez de lhe deitarem a sprite, batizaram-no como um navio, prendendo um fio e atirado-lhe a garrafa.
Cilinha ensinou vários truques a Tó. Rebolar, fazer de morto e a bater à porta usando as patas. Truques úteis uma vez que Tó limpava os salões da Junta de Freguesia antes das festas,rebolando pelo chão fora, fazia-se de morto sempre que largava uma bufa em público ou quando ia urinar na bomba do Quirino, e durante alguns meses chegou a Porta a Porta para cachorros orfãos. 
Mas o grande truque foi assobiar a Macarena. Isto fez de Tó uma estrela e percorreu todo a região, chegando mesmo a abrir espetáculos para o Toy e a fazer festivais de verão. Num desses espectaculos, deram-lhe Gin tónico em vez de água e ai Tó perdeu-se. Começou a beber Gin, Vodka, Caipirinha, Cairpirão. E só quando o seu Veterinário o avisou do do risco do Caipirica é que Tó parou. Nem o facto de urinar todas as cores do arco íris o tinha feito desistir doáalcool. 
De volta à sobriedade, Foi de novo treinar com Cilinha - agora Cila Barbuda, presidente da Associação Regional para a Defesa do Buço nas Mulheres - aprendendo a fazer malabarismo com cones de transito. 
Vive agora num luxuosa casota de 3 assoalhas, com um terreno cheio de pneus, postes de iluminação e gatos vadios para caçar ao fim de semana. Faz parte da Assembleia Municipal, e fundou uma associação para apoiar cães dependentes do álcool e água da sanita.