quarta-feira, 6 de março de 2013

Espaço Entrevista [6-3-13] - Raimundo Jorge: Decorador de Interiores

Hoje inauguramos o nosso "Espaço Entrevista", onde ao longo das próximas semanas iremos entrevistar as mais ilustres celebridades de S. Pedro de Rebila e até pessoas comuns caso não arranjemos ninguém ilustre que aceite falar conosco. A conduzir as entrevistas está, o não menos ilustre, repórter Miguel Matias, conhecido entre os amigos como Tenório... da Fonseca.

E como primeiro convidado temos nada mais nada menos do que Raimundo Jorge, decorador de interiores

Tenório: Sr. Raimundo, em primeiro lugar, agradeço que tenha aceite o nosso convite.
Raimundo Jorge: Ora essa, isto até fica a caminho de casa e ainda por cima não posso chegar muito cedo a casa senão a minha mulher obriga-me a fazer as camas.

T: Raimundo... posso trata-lo assim?
RJ: Por acaso prefiro que me trate por Marlene.

T: Hum... talvez seja melhor continuar a chamar-lhe Raimundo. Diga-nos, o senhor é decorador de interiores, correcto?
RJ: Sou sim. Correcto e afirmativo.

T: E de onde vem essa sua paixão pelos interiores?
RJ: Olhe... eu acho que é de família. Principalmente do lado do meu pai. Apesar de que a minha mãe chegou a ter uma loja de roupa interior. E lá em casa sempre usamos roupa interior. Gostamos tanto disso que até nos custava a tirar. Mas pronto, por uma questão de higiene, tínhamos de lavar aquilo a cada dois meses.

T: Dois me... Bem, adiante. Fale-nos então da família do seu pai. Era uma familia de decoradores?
RJ: Sim. Repare... eu sou decorador. O meu pai era decorador. O meu avô era decorador. O meu bisavô era decorador. O meu trisavô...

T: Deixe-me adivinhar... era decorador!
RJ: Não. Era electricista.

T: Mas no tempo do seu trisavô não havia electricidade!
RJ: Haver, havia. Mas não é como agora que é tudo fácil! O meu trisavô trabalhou muito! Agora a electricidade vem por tubos, mas no tempo dele não. Era preciso ir buscar electricidade em baldes e trazê-la assim até à aldeia, que ainda era longe!

T: Electricidade... em baldes?!
RJ: Sim. Muito mais difícil que agora. E era electricidade boa! Não é como esta electricidade maricas que há agora! Aquela era natural, sem fertilizantes. Só que pronto... tinha o problema dos baldes. O meu trisavô de vez em quando lá tropeçava com os baldes às costas e entornava um bocado de electricidade por cima dele. E claro... apanhava choques. Como ele era movido a bagaço, estava sempre a tropeçar e apanhar choques. Por isso é que era conhecido por Chico Chamuça.

T: Bom... voltando ao presente. O Raimundo sempre foi decorador?
RJ: Não. Comecei a trabalhar como sonoplasta.

T: Sonoplasta?!
RJ: Pois, porque eu fui trabalhar para a fabrica de plásticos que um tio meu tinha, e o cheiro a plástico dava-me muito sono adormecia em cima deles.

T: Ah... bom. E O que o despertou para a decoração?
RJ: Foi uma viagem que eu fiz. Ao Burundi.

T: Ao Burundi?! A sério?!
RJ: Não. Estou a brincar consigo. Eu nunca fui à Guarda.

T: Então e a viagem foi onde?
RJ: Foi ao talho, um dia que eu lá fui. Tinha umas três pessoas À minha frente e comecei a olhar para aquele talho frio e a pensar: eu podia decorar isto tudo.

T: E foi a partir daí que passou a ser decorador.
RJ: Exacto. Já lá vão 27 anos.

T: E qual é o seu estilo preferido? Feng shui? Minimalista?
RJ: Olhe, o meu estilo preferido é bruços. Também gosto de mariposa, mas isso dá-me uma dor ao fundo das costas que parece que se me arreganha até ao pescoço. O que é uma pena, porque gosto muito de mariposa. E cabrito assado também.

T: Não, estava-me a referir ao estilo de decoração...
RJ: Ah! Isso! Eu não tenho nenhum estilo definido. Pode dizer-se que me é natural.

T: Mas então como decora as casas?
RJ: É simples. Entro lá dentro e começo a olhar à minha volta e passo logo a decorar a torto e a direito!

T: Mas não leva materiais consigo? Umas cortinas? Um tapete? Uma jarra chinesa?
RJ: Mas para quê que eu preciso disso para decorar a casa?!

T: Então... se você vai lá mudar a decoração, precisa de coisas dessas.
RJ: Mudar a decoração? oh amigo... isto deve haver aqui uma confusão de sua parte. Eu sou decorador! Portanto, eu entro na casa e começo a decorar as coisas. Tipo, o frigorifico estava na cozinha. fotografia dos filhos, estava na sala em cima da mesa. O tapete roxo estava a secar na varanda. É isso que eu faço. Não tenho nada a ver com essa mariquice de mudar a cor das paredes e por umas velinhas que cheirem a rabinho de bebé!

T: Mas... Mas... Bom... Obrigado Raimundo. Foi a entrevista possível.
RJ: De nada amigo. Já agora, você pode-me dar uma boleia até casa? Obrigado.

---Não percam a próxima entrevista em breve---