Hoje temos mais um "Espaço Entrevista", com o nosso ilustre repórter Miguel Matias, conhecido entre os amigos como Tenório... da Fonseca.
O nosso convidado de hoje é um membro lendário de São Pedro de Rebila, assim para o ilustre, mas meio desconhecido na mesma, apesar da sua grande carreira. Falamos de Jesulindo Fenétra, a festejar os seus 50 anos de carreira
Tenório: Sr. Jesulindo, obrigado por ter aceite o nosso convite.
Jesulindo: Sim, de facto fui um bocado obrigado. Quando eu disse à minha Jaquina, ela disse-me que não devia de vir. Mas depois o seu colega ofereceu-me uma garrafa de bagaço e a minha mulher reconsiderou. Eu não era para vir, mas depois ela disse que iamos aproveitar para ir visitar a minha sogra, então decidi vir.
T: Muito bem Jesulindo... Prefira que o trate por Marlene?
J: Marlene? Está a gozar comigo?!?
T: Desculpe...Não quis ofende-lo...
J: Mas ofendeu. Ou Jesulindo, Lindo, J-Lindo, JL, ou Bobi.
T: Bobi?
J: Sim, Bobi, daquele grande treinador de futebol Bobi Rhoson.
T: O Jesulindo é treinador de futebol ou foi?
J: Não, nunca fui nem sei jogar futebol. Mas gostava que me chamassem Mister.
T: Ah, ok...E então o Jesulindo está a festejar os 50 anos de carreira correcto?
J: É verdade. 50 anos! Ainda parece que foi ontem a primeira vez.
T: 50 anos é uma carreira longa. Deve ter passado por maus bocados.
J: Olhe não é assim tão longa, apesar de ter maus bocados mas isso também já foi resolvido
T: Ja foi resolvido?!
J: Sim. Ao fim de uns 2 ou 3 meses a coisa ficou resolvida. Mas obrigou a um desvio.
T: Só 3 meses? Mas se obrigou a um desvio deve ter sido grave?
J: Alguns dias sim. Principalmente quando chuvia. Parecia que não saia do sitio. Fazia tudo por tudo, mas simplesmente não andava. Foi complicado.
T: Parece-me ser mesmo grave. Como foi que resolveu?
J: Fizemos uma abaixo assinado e exigimos que resolvessem a questão. Ainda tivemos 3 ou 4 reuniões e depois de porém asfalto nunca mais.
T: Asfalto?!
J: Sim. Inicialmente estava previsto paralelo, mas eu disse logo que aquilo ia derrapar e ia dar ao mesmo.
T: Paralelo? Como quem diz seguir num caminho parecido, mas ao lado? Era isso que se referia enquanto desvio?
J: Não. Paralelo daquele que se usava para partir vidros num assalto ou fazer de calços.O desvio foi enquanto estavam a asfaltar.
T: Paralelos? Asfalto? Desvio? Isso são metáforas do seu percurso?
J: Não sei, acho que não temos metáforas no percurso, só 3 semáforos, 2 stops e 1 cedência de passagem.
T: Oh Jesulindo, o que é que você faz?
J: Eu não faço nada, sou desempregado.
T: Então qual é o seu hobby?
J: Eu não tenho nenhum hobby. Tive uma gerbéria e dois cactos, mas já não tenho plantas à muito.
J: Eu não tenho nenhum hobby. Tive uma gerbéria e dois cactos, mas já não tenho plantas à muito.
T: Não, em termos de passatempo!
RJ: Ah! Isso! Eu não tenho nenhum passatempo, ando de um lado pro outro até o dia acabar.
T: Então a sua carreira é uma espécie de necessidade, precisa daquilo como pão para a boca, é isso?
J: SIM, porque eu moro no cimo do monte e a mercearia fica longe, por isso é que preciso da carreira para ir buscar o pão.
T: Mas como é que voce têm 50 anos de carreira então?
J: Porque faz hoje 50 anos que tirei o passe e fiz a primeira viagem.
T: Voce tem 50 anos de carreira, como passageiro de autocarro?
J: Sim, faz hoje 50 anos. Também tenho 30 anos como passageiro clandestino, mas isso fica para uma outra entrevista, porque está a passar o autocarro das 17.45 e o pão quente sai as 18. Até logo amigo.
T: Uma próxima entrev...Obrigado pelo seu tempo.
---Não percam a próxima entrevista em breve---